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O preço da carne

por Elen Lima

Quarenta e três mil litros de água e seis metros de floresta tropical desmatada¹. Esta é parte do preço que você e o planeta pagam por apenas um quilo de carne vermelha, que mais tarde, pode se transformar em um suculento bife no seu prato. Para ter noção, a quantidade de água é suficiente para o consumo de 210 pessoas. Se para cada quilo de carne produzido são necessários quatro quilos de grãos, temos então um desperdício na conversão da proteína vegetal em animal, destinada ao consumo humano. Citando a soja como exemplo, são utilizados mil litros de água para produzir 500 gramas do grão. Ou seja, mais de 20 mil litros de água a mais, são necessários para obter a mesma quantidade de carne animal. Devemos ainda lembrar que, a maior parte da produção de soja é destinada ao gado.

Estes são apenas dados de alguns dos impactos ambientais que o comércio da carne gera.

A Floresta Amazônica é um bom indicador de que é preciso repensar hábitos herdados de nossos antepassados. “Entre 1966 e 1983, quase 40.000 milhas quadradas de floresta amazônica foram desmatadas para desenvolvimento comercial. O governo brasileiro estima que 38% de toda floresta tropical destruída durante este período pode ser atribuída ao desenvolvimento pecuarista de grande escala, que beneficia poucos fazendeiros” (dados retirados do site da Sociedade Vegetariana Brasileira – SVB).

O desmatamento, especialmente na Amazônia, e a queima da cana de açúcar são fatores preocupantes principalmente na relação com o aquecimento global, pois respondem por aproximadamente 70% das emissões brasileiras de gases do efeito estufa, de acordo com a organização não-governamental Iniciativa Verde.

Segundo cálculos extraídos do artigo “Consumo de carne degrada o meio ambiente²”, do médico Márcio Bontempo, se a ingestão deste alimento não for reduzida em pelo menos 20% no Brasil, até 2020 poderemos contar com o total desaparecimento da mata atlântica.

Além disso, em áreas de pastagens, cerca de 30 espécies vegetais são destruídas, além de 100 espécies de insetos e dúzias de aves, mamíferos e répteis.

Estes indícios, que a princípio parecem ser um tanto confusos e sem conexão, podem afetar nosso cotidiano mais do que se imagina.

Dados do site da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) estimam que a cada segundo, uma área de floresta tropical equivalente ao tamanho de um campo de futebol é destruída no mundo para produzir 257 hambúrgueres.

Será que o preço pago pelo planeta para a carne nossa de cada dia compensa?

Vale lembrar que estes dados resultam do atual contexto do mercado de exploração que envolve o comércio da carne, forçosamente mantido por grandes interesses. Questões de tratamento ético dado aos animais e de saúde humana fazem parte de um contexto ainda maior neste negócio rentável.

1 - Fonte: Dr. Roberto Luiz do Carmo, sociólogo e doutor em demografia, pesquisador do Nepo, Núcleo de Estudos de População (Nepo), da Unicamp.
2 -
http://www.portalverde.com.br/alimentacao/carne/carta_bontempo.htm

* Elen Lima é estudante do 7º semestre de jornalismo do ISCA Faculdades.



Escrito por Murillo às 09h34
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